domingo, 26 de julho de 2009

Vila Franca de Gira

Depois do concerto da Mãe d’Água fomos contactados por um amigo que nos perguntou assim: “Vocês fazem casamentos?”. Respondemos que não. Ele disse logo, entusiasmado:”Óptimo, porque eu quero que vão tocar no meu e não quero lá ninguém que faça casamentos. Quero que dêem um concerto no meu casamento.” E atirou logo com uma data. Tentámos que o tempo arrefecesse o seu empolgamento mas nas semanas que se seguiram manteve a sua perseverança. O seu prazer em ter-nos lá era evidentemente generoso. Acabámos por ir tocar a Vila Franca de Xira onde, por coincidência, encontrámos alguns amigos que agora nos querem ver a tocar num jardim lindo de Lisboa. Estamos a pensar seriamente nesse projecto. Vejamos como avança. Mas, voltando ao himeneu, foi muitíssimo agradável perceber que os convivas estiveram sempre de ouvido bem atento às canções deslumbrantes que tentamos respeitar. Tive também a oportunidade de fazer algumas experiências instrumentais ao vivo que havia testado em casa. É muito divertido produzir música improvisada num ambiente em que as pessoas estejam realmente a ouvir. E muito, muito atentas. A certo ponto interrogámo-nos se não estaríamos a assumir demasiada notoriedade. Felizmente o vestido da noiva era tão divertido e tão diferente – com uma generosa aplicação de papel pardo – que arrebatou não apenas o noivo mas todos os comentários. Foi um dia muitíssimo bem passado. Não ficámos nada arrependidos. Correu tudo muitíssimo bem. Uma experiência muito… Xira. Felicidades, pois.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

dois em um

Ufa. Dois concertos num só dia. Não é a primeira vez mas é sempre complicado. Estivemos a tocar em frente à mãe d'Água, Lisboa, a convite de uma dinâmica Junta de Freguesia. O ambiente foi tão inesperadamente caloroso que nos sentimos absolutamente em casa. E digo inesperadamente porque não conhecíamos ainda suficientemente bem os nossos anfitriões e não sabíamos exactamente com o que contar. Pois acabou por se revelar uma noite memorável, num enquadramento belíssimo e que nos deixou com muita vontade de rever aquele grupo de pessoas. (Só o resultado com a Albânia é que não esteve com nada). O público aderiu optimamente ao nosso espectáculo e manteve aquele sorriso sereno que as nossas actuações sempre parecem proporcionar. O alinhamento foi muito criteriosamente escolhido pelo Francisco e a sua voz parece conseguir sempre gerar o sorriso e a doçura que as canções pedem. E isso transmite-se, presumo. Uma noite linda, cálida e luminosa por uma lua cheia que deixou brilhar como deviam estas canções lindíssimas.

 

A seguir, descemos a rua e fomos participar, como convidados, no Vintage Deluxe Hot Cabaret, no feérico Maxime. Tocámos apenas cinco temas no decurso da noite e sentimo-nos maravilhosamente bem. O espectáculo é muito divertido e inocentemente "picante" e proporciona umas excelentes duas horas de diversão contínua. Morro de riso com o conceito de um urso gigantesco e etílico a tocar o "Love me tender" em cavaquinho. O aparente amadorismo da função faz jus à tradição cabaretiana e as meninas são encantadoras. Depois há os excelentes jingles do Gimba e a voz do Ferro e da Susie que não me canso de ouvir. São demasiadas as razões para nunca perder a oportunidade de ver e rever um espectáculo das produções banana que, quer se queira quer não, é sempre diferente e cheio de cumplicidades e naughties piscar de olhos. Enfim um sucesso absoluto a que muito nos honrou podermos associar-nos. Que belíssimo dia.

camisas novas

Já há algum que não actualizo estas entradas. Desculpem. Mas os terylene não param e nem sempre há tempo para tudo. NEWS FLASH: temos camisas novas. São vermelhas e absolutamente glaring splash. Feitas de encomenda pela D. Teresa, perfeitíssima nos detalhes, que nos tira as medidas todas. Neste momento os terylene têm um guarda-roupa que mete alguma impressão. É divertidíssimo pensar que uma das questões que sempre se coloca antes de um espectáculo é o de escolher o “uniforme” que se irá trajar. Só o irrisório de ter de se tomar decisões destas é suficientemente kitsch para que tudo isto valha tanto a pena, como vale. Beijinhos e abraços.

domingo, 26 de outubro de 2008

O adjectivo terylene na FBP

A passagem pelo Braço de Prata foi, como de costume, ocasião para ouvirmos coisas novas que ali sempre se escutam, Marta Plantier e Nicole Eisner, foram dois dos espectáculos que tiveram momentos muito bons – maravilhosa a versão da Marta Plantier e Luís Barriga do “Crazy” do Gnarls Barkley e maravilhosa também a versão da Nicole Eisner do “A man with a child in his eyes”, da Kate Bush.

Quanto aos terylene foi ontem ocasião para estrearmos mais umas músicas. Desta vez foi o The nearness of you, com música maravilhosa de Hoagy Carmichael e letra ainda mais extraordinária de Ned Washington, com data de 1938. Parece-nos adequado e homenageia adequadamente o público afectivo e astuto da FBP. É um tema lindo cuja versão mais deliciosa que conheço pertence ao álbum – liiiiindo - The Ballad Book, de Michael Brecker, cantada pelo grande James Taylor. Fizemos uma colagem com o Poinciana que julgamos resultar em pleno e constitui, para mim pelo menos, um dos momentos marcantes dos nossos concertos. Por brincadeira, decidimos reforçar o carácter “terylene” do repertório, incluindo também o “It’s not unusual” do Tom Jones , composta por  Les Reed e letra de Gordon Mills, de 1965. Colámos esta música ao New York, por razões musicais e não líricas. A surpresa gerada é divertida.

A propósito, tem sido muito divertido perceber que no final dos concertos os espectadores que connosco conversam, utilizam a palavra terylene como um adjectivo. “Uma música que podiam tocar é …. Também é muito terylene, não é?”. Uma sugestão excelente que nos deram ontem foi a de acrescentarmos um tema francês ao reportório. Parece-me bem. Next stop, Cerveira. Up, up and away.

sábado, 25 de outubro de 2008

Hoje, 25 Out, no Braço de Prata

Hoje de manhã muda a hora. Quando for meia-noite atrasa-se os relógios uma hora. Hmm. Pensemos… Os terylene começam a tocar na Fábrica do Braço de Prata à meia-noite e meia. Significa isto que uma hora depois do concerto estaremos exactamente no mesmo ponto em que começámos? Que fazer? Recomeçamos tudo de novo? Esperamos uma hora no palco até ser meia-noite e meia outra vez para então, só então, começar o concerto?  J até logo. Vai haver surpresas. Há sempre surpresas no Braço de Prata.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

anúncios

Para memória presente - que da futura pouco sabemos - publica-se alguns anúncios de concertos terylene.

tertúlia castelense - Maia / Porto

casino da Figueira - Figueira da Foz

cabaret Maxime - Lisboa

Maxime - 2 de Outubro

Tocar no Maxime é sempre um evento especial. Como a noite de ontem não foi diferente, por consequência, foi. Guardamos sempre algo especial para marcar noites e lugares especiais.Foi o que fizemos. Estreámos ontem uma canção lindíssima, que apresentara ao Ferro na versão maravilhosa do Billy Eckstine. Chama-se "Tenderly".

A canção é de 1946, foi escrita por Walter Lloyd Gross e tem letra de Jack Lawrence. Decidimos incluir um solo de harmónica que soa estupendamente.

É muito surpreendente perceber que há músicas que resultam muito bem e outras que simplesmente, por mais bonitas que sejam, não. Esta é uma das que resulta nesta formação tão assumidamente back to basics.

O público - aquele que deixou as televisões com o Benfica, o Guimarães e as uefas todas em casa - foi muito carinhoso e risonho connosco. É sempre um prazer ser convidado para tocar no Maxime. Uma noite bem tenderly, indeed.

Deixo-vos aqui com a versão da maravilhosa Rosemary Clooney.


terça-feira, 30 de setembro de 2008

concerto adiado

Por dificuldades de agenda, o concerto marcado para 4 de Outubro na Fábrica do Braço de Prata, Lisboa, foi adiado para 25 de Outubro, (obrigado, Patrícia). Entretanto esta Quinta estaremos no Maxime, na praça da Alegria. Apareçam. Bjinhos.

domingo, 21 de setembro de 2008

terylene na FBP dia 4 de Outubro

Os terylene estarão na Fábrica do Braço de Prata no próximo dia 4 de Outubro. Um abraço e até lá.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

terylene de volta ao Maxime

Última hora: o concerto dos terylene no cabaret Maxime foi antecipado para o dia 2 de Outubro.

obrigado

No final do concerto na FBP uma conversa sobre canções com um amigo não caiu em saco roto. Recebi agora uma versão linda do “can’t take my eyes off you” . Muito obrigado ZM

acessibilidades

Um agradecimento ao espectador anónimo e gracioso do último concerto que nos facultou um imprescindível acesso à web.

Fábrica do Braço de Prata - 13 de Setembro

O concerto na Fábrica do Braço de Prata foi um dos melhores de sempre. E tudo por causa de um público absolutamente irrepreensível. O cuidado e o carinho que nos dedicaram foi absoluto e o genuíno prazer de ouvir "músicas de sempre" foi-nos muito estimulante. Pelo canto do olho fomos percebendo a alegria que as canções polvilhavam. Adorei tocar o "Laura", que é de uma delicadeza tão exigente. É sempre muito encorajador ver como as pessoas gostam de ouvir estas músicas tão antigas. Curiosamente, muitas delas nem suspeitam a idade destas músicas.

Parece blasé mas a verdade é que não há concessões. Os terylene tocam apenas aquilo por que se apaixonam. E por vezes trata-se apenas de reescutar o que já se supunha conhecer. Gostar do Chattanooga Choo Choo é até vulgar, mas trabalhar a versão da Carmen Miranda é muito divertido. E está a tornar-se o nosso tema de encerramento dos concertos.

Neste momento andamos a trabalhar duas canções lindas: o "tenderly" e o "the nearness of you" do Hoagy Carmichael. Ando a convencer o Francisco a fazer um solo de harmónica no "tenderly". Deveremos estreá-las no próximo concerto dos terylene na Fábrica do Braço de Prata no dia 4 de Outubro. (Começa a tornar-se tradição estrear canções na FBP).

Muito obrigado ao público desta noite.

entrevista da OnSpot aos terylene

Aqui há uns tempos a On Spot magazine publicou uma entrevista que aqui reproduzimos:

Como e quando surgiram?
 
RC - Na minha opinião, isto é, falando pessoalmente no meu caso pessoal, tenho para mim que, no que me diz respeito, acho que envolveu um relacionamento de tipo sexual entre os meus pais há décadas. Mas confesso é um aspecto algo íntimo e desconfortável de que nunca gostamos de falar explicitamente ao jantar ou em momentos familiares como noites de consoada. No caso do Francisco, acho que ele surgiu dentro de um repolho trazido de Paris por uma cegonha. Imigrante, tázaver? Daí  o sotaque.
 
FF - Merci, Rui. Quanto aos Terylene, nasceram do meu cansaço das passereles. Tirei à sorte se agora me ia tornar escritor, actor ou cantor. Perdi. O Rui entrou porque não havia dinheiro para um daqueles sintetizadores que tocam os acompanhamentos sozinhos.   
 
Para quem nunca vos ouviu, como se descrevem?
 
RC - Por escrito. Respeitamos muito a comunidade surda.
FF – Um palmo de cara e mais um gajo que está lá atrás até haver dinheiro para um daqueles sintetizadores que tocam os acompanhamentos sozinhos.
 
Há espaço para bandas como a vossa no mercado português?
 
RC - Acho que sim, porque somos só dois; precisamos de um palco pequenininho. Muito mais espaço ocupa o coro de Santo Amaro de Oeiras.
FF – E agora imagina só um gajo com um sintetizador daqueles que tocam os acompanhamentos sozinhos.
 
Podemos dizer que vocês tocam para as nossas avós? Ou este segmento musical também é ouvido pelos mais novos?
 
RC - Podem, mas digam-lhes isso com jeitinho. O nosso segmento musical é escutado até por cães enviados de propósito de Inglaterra.
FF – O departamento de marketing dos Terylene é da opinião de que a maioria das nossas avós já morreu. Estamos portanto a direccionar-nos para um target mais jovem, o que traz vantagens: a malta pensa que o “Stormy weather” e a “Garota de Ipanema” são músicas feitas por nós. 
 
Podiam-nos contar alguns episódios engraçados que vos tenham acontecido durante esta aventura musical?
 
RC - Houve uma vez uma revista que nos mandou umas perguntas para a gente responder. Aquilo é que foi rir. 
FF - Também houve aquela vez em que o bar estava apinhado de gente e os da frente pediam-me “Ó Manel João, canta aí a “Marilú”, pá!”
 
Está no horizonte dos Terylene editarem algum álbum?
 
RC – Daqui donde estou sentado, só vejo um poste e uma mata.
FF - Sim, talvez um duplo ao vivo, mas só quando sair a lei a proibir esta moda de se ir buscar músicas à net e voltar a valer a pena editar discos daqueles com capa e tudo.
 
Porquê Terylene e não Fazenda ou Bombazina?
 
RC - Fazenda, não podia ser, porque somos muito urbanos e não sabemos nada de hortas, pomares, e assim. Mesmo de finanças sabemos pouquíssimo. Depois do 11 de Setembro, Bombazine era de muito mau gosto. Além disso, somos contra a ETA e contra o IRA.
FF – Ó Rui, a gente tinha combinado que não se metia em políticas.
 
Actualmente o que ouvem em casa ou no carro?
 
RC - Eu em casa ouço o cão do vizinho que está sempre a ladrar, a ladrar, o raio do cão que não há meio de se calar. No carro, tenho um problema no escape que ainda hei-de mandar arranjar esta semana. Mas como é que você sabe estas coisas? Estes paparazzi descobrem tudo…
FF – Em casa ouço a minha mãe e no carro aproveito para um merecido descanso. Mas às vezes ligo o rádio e estão a dar anúncios. Os gajos falam muita depressa e no fim dizem que não dispensa a leitura do prospecto. E também tenho uma cassete com o “Opus gay” dos Ena Pá 2000.
 
Querem deixar alguma mensagem aos leitores da On Spot?
 
RC - Sim, claro. Tudo pela Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia. Deixo agora ou espero pelo sinal?
FF – Queria aproveitar para juntar ao interessante conteúdo informativo da On Spot esta mensagem: “Nós não somos os Ena Pá 2000".

abertura

A ideia já surgira em conversas de ensaios, mas ficou decidida após uma conversa deliciosa com o lendário Gonçalo Lucena nos corredores da Fábrica do Braço de Prata, esse lugar único e humano. Criar um blog onde se comentem os concertos que vamos dando. A verdade é que temos um livro de comentários que fisicamente vai serpenteando entre as mesas nos lugares em que actuamos. Mas uma coisa não substitui a outra e é aliciante dar a possibilidade aos nossos amigos que comentem o que viram e ouviram. Ficamo-vos muito obrigados se nos deixardes por aqui uma memória, mesmo breve, das sensações que um concerto terylene possa ter gerado em vós.